Qualquer Semelhança...

Qualquer semelhança que houver com historias da sua vida ou da vida de pessoas que voce conhece, nao se esqueça que e apenas uma semelhança...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Devaneios...

O Black Panther estava lotado!
E a noite estava quente e bela...
Sonda Sandolli cantava sucessos internacionais e todos dançavam de acordo com o ritmo que era cantado.
Logo depois que ela terminou de cantar, surgiram os aplausos...
- E agora a Sonda vai cantar uma música que vai mexer com todos os corações apaixonados, e os que perderam um grande amor, simplesmente com uma única frase: "Amanhã Talvez"! - bradou Sandro, sendo muito aplaudido.
E lá estava ela, no palco cantando... A estrela da noite!
E os primeiros acordes da música foram tocados e o início da bela música que marcou a vida de muita gente, inclusive a de Marion, começou...
E Sonda, por sua vez, começou a cantar a bela música com toda a devoção da sua vida, sabendo que tinha uma grande ligação com sua grande amiga Marion.
E isso fez Marion delirar e voltar ao passado não tão muito longe dali, num mundo só dela, sem dor, sem complicações... Só que não foi bem assim... O mundo que só ela viveu e que só ela cultivou...
E foi assim, com lágrimas, que Marion escutou a música e reviveu os melhores momentos de devoção e paixão da sua vida...
"Faz que desse jeito só você sabe fazer..."
"Olhos nos olhos, tanta coisa pra dizer..."
E seus olhares se encontraram e a música continuou dando chamada a quem quisesse olhar...
"- Será que é ele?" - Marion suspirou, mexendo os dedos ainda nervosa, sentada ali na mesinha, olhando a bolsa de Sonda.
"Charminho doce, pedacinho de você..."
"Diz a frase certa, só você sabe dizer..."
"É só assim que eu consigo descobrir..."
"Como é gostoso me entregar e te sentir..."

E os demais casais dançavam pela pista a fora, enquanto isso, Marion e seu grande amor, contemplavam - se ao sabor da bela música...
"É... Quando se ama, a gente finge que nem vê..."
"Que o tempo passa e mais um pouco de você..."
"Melhor assim..."
"Bom pra você..."
"Melhor pra mim..."
"E amanhã quem sabe a gente outra vez..."

E continuaram olhando - se e trocando sorrisos ao doce sabor da música...
"So mais uma vez..."
"Amanhã talvez..."
E Sonda, por sua vez, repetia essa ultima frase, conforme a música...
"O amor que a gente fez..."

E o refrão foi repetido algumas vezes, conforme a bela música e assim, lágrimas brotaram dos olhos de Marion e Acácio por sua vez, percebeu que Marion tinha se emocionado com a bela música, entao... Se ela tinha se emocionado com a bela música, logicamente, ela nunca havia se esquecido dele e de suas aventuras amorosas...
E aí foram - se os devaneios, as lembranças e as maravilhosas recordações de um passado não muito longe dali...
E assim os dois começaram a recordar...

Primeiro dia de aula em uma escola estadual num bairro da cidade de São Paulo, talvez em um lugar encantado...
Crianças misturavam - se na porta da escola...
E de repente, em meio a muitos carros, surgiu uma Brasília azul clara.
A porta do carro se abriu e dela saiu uma mulher imponente e robusta.
E do banco de trás, saiu um garotinho lindo, ruivinho, se ajeitando na blusinha engomadinha da escola...
E muitas famílias que não possuíam carro naquela época, então, levavam seus filhos e filhas a pé mesmo e as famílias aglomeravam - se cada vez mais na porta da escola, mães acompanhando seus filhos e filhas e alguns pais, que eram poucos, na época, porque ainda o homem sustentava a casa e a mulher ainda não trabalhava, só ficava em casa, cuidando dos filhos e filhas...
Apenas as duas famílias mais ricas das redondezas, possuía carro, telefone e outros eletrodomésticos que muitas famílias ali ainda não possuíam, mais tinham o sonho de possuir algum dia...
Os Fontanni e os Sandolli eram essas duas famílias, descendentes de italianos e há muito tempo aqui no Brasil, suas histórias resumiam - se num navio que veio da Itália para o Brasil, na época da libertação dos escravos, para trabalharem nas fazendas, em lugar deles...
Mas eles, por serem abastados lá na Itália, ficaram na cidade de São Paulo mesmo, vieram fugidos da guerra, da situação que o povo de lá estava vivendo na época.

E logo após a mulher descer do carro sob os olhares dos demais que estavam ali na porta da escola, pegou seu filho pela mão,e que surgiu como num passe de mágica, uma moça de mini saia jeans e uma mini blusa branca e o homem que estava dentro do carro, quando viu pelo retrovisor, estremeceu...
Sair dali ele não podia, por causa da sua esposa Olívia, que era muito nervosa.
E Zulma, por sua vez, viu o carro de longe e de súbito, puxou a sua irmãzinha Marion e foi diretamente para o carro.
- Olá seu Sandolli... - Zulma cumprimentou o homem, fingindo - se surpresa, enquanto esse crispava os lábios de raiva da bela moça.
E o homem ainda olhou pra trás para certificar - se, se não havia nenhum perigo, ou melhor... Se Olívia não estava lá por perto...
- O quê você quer, Zulma? - o homem perguntou ainda assustado. - Dinheiro? - perguntou, enfiando a mão no bolso e com pouco caso, enquanto a bela moça olhava furiosa para ele.
- Não! - a bela moça rejeitou. - Será que eu nem posso me aproximar de você para bater um papo, que você já pensa que eu quero dinheiro? - Zulma perguntou, ainda olhando para a mão do homem, que estava estendida para ela, com o dinheiro a posto sobre a sua mão.
- Eu acho que seu pai não vai gostar nada, nada, se ele ficar sabendo que a sua filhinha querida está conversando com um Sandolli! - o homem ameaçou furioso, e ainda olhou para trás a fim de certificar - se sobre a vinda da mulher assim, tão de re pente, até o carro.
- Isso é uma ameaça, seu Sandolli? - Zulma perguntou furiosa. - E você sabe muito bem, que não é o meu pai, é a minha mãe que não quer que eu me aproxime de nenhum de vocês! - Zulma continuou furiosa com o homem que exibia um meio sorriso e olhava sempre para trás, com medo da mulher aparecer.
- E o quê você faz aqui mesmo, Zulma? - o homem perguntou sorridente.
- O mesmo que você, vim trazer a minha querida irmãzinha na escola, porque é o primeiro dia de aula, sabe como é, não é? - explicou sorridente. - E outra coisa... Eu não devo nenhuma satisfação a você... - olhou séria para o homem que olhava surpreso para ela. - Ou devo? - encarou - o, enquanto esse ficava totalmente sem graça.
- Olívia!!! - o homem bradou surpreso, nervoso e gelado, e totalmente descontrolado, ao ver sua mulher tocando na maçaneta do carro, abrindo o carro, e entrando com uma cara feia que doía...
- Acamir, o quê essa maldita faz aqui? - perguntou encarando Zulma bem dura e fria, e sentando - se no banco da frente, junto com o marido que ainda estava perplexo.
E Zulma, por sua vez, ficou medindo a mulher que a media também, só que medir e Olívia... Olívia não tinha nada, coitada...
- Ela se perdeu, não sabe a entrada da escola, então ela está pedindo informações e eu... - sorriu sem graça, enquanto Olívia continuava olhando feio para ele e para a garota sorridente. - Eu, como um bom cidadão, resolvi dar - lhe informações. - continuou sem graça, já sabendo que teria briga entre ele e a mulher...
- E você como um bom cidadão, não é, Acamir? - Olívia gritou, dando - lhe um violento safanão, que o homem até ficou tonto.
- Pô, nem precisava fazer isso comigo, não é, Olívia? - gritou furioso. - Eu não estou fazendo nada, eu só estou cumprindo o meu papel de cidadão, mulher! - continuou furioso, com seu italiano arrastado.
- Bom, eu vou levá - la para a escola, porque talvez a professora a aguarda! - Zulma disse querendo rir da cara do homem, que levou um violento safanão da mulher.
- Que professora que nada! - Olívia bradou, olhando feio para Zulma. - Ela nem sabe da existência dessa maldita! - Olívia continuou furiosa, olhando feio e com um tremendo ódio para a moça, que assim, jogou os cabelos para trás e saiu bem de fininho, porque sabia que sobraria para ela também e Acamir, por sua vez, ficou contemplando a bela moça que se foi, de mãos dadas com a suposta irmãzinha e Olívia, por sua vez, acompanhando tudo, com muito ódio. - Muito bem, homem! - Olívia bradou, limpando a garganta. - Agora que você viu aquele material todo, você puxa o carro, porque agora nós vamos quebrar o pau em casa! - Olívia continuou furiosa, com aquele ódio todo no coração.

E ao passar em frente ao garotinho ruivo, que viu todo o movimento no carro da família, Zulma percebeu que ele olhou com nojo para ela e para a sua suposta irmãzinha, ainda olhou para trás e jogou seus cabelos longos para que o menino pudesse ver que ela estava por cima...
Mas... Garotos são garotos e ele não entendia o "porque" daquela reação da moça e nem tampouco o "porque" os pais brigavam tanto.
Ele não entendia... Mas sabia que era porcausa daquela moça bonita que ele viu passar bem na sua frente...

- Era só ela perguntar para o Cacio, ele é muito inteligente, era só segui - lo, que ela se encontra lá e não tinha necessidade de perguntar nada para você, sabendo que você é um homem casado! - Olívia continuou furiosa, enquanto Acamir escutava tudo calado.

É, mas Zulma não cumpria ordens, apenas pedidos, ela cumpria e com todo o gosto, mas ordens... Ordens não!
Vai ver por isso, a grande paixão de Acamir por ela!
E Zulma, por sua vez, ficou sem jeito, e apertou a mãozinha da suposta irmãzinha e foi, sem jeito mesmo, enquanto o garoto continuava olhando com nojo para ela, sabendo muito bem que aquela moça tinha virado a cabeça do seu pai contra a sua mãe, e qual filho queria isso?

- Eu também vou arrumar alguns amigos e vou apresentá - los a você! - Olívia gritou furiosa e bem alto, assustando ao homem que dirigia devagar.

E Acácio, por sua vez, ainda mostrou a língua pra Marion, que subia as escadas da escola, junto com sua suposta irmã, ainda olhando para trás, pois tinha achado os cabelos do garotinho bonito, e Marion, por sua vez, também deu o troco, assustando ao garoto que ainda olhou feio para ela.
- Eu só espero que o Cacio não mostre a língua para a Marion e nem tampouco para a irmã dela! - Acamir bradou chateado, enquanto Olívia ainda olhava feio para ele.
- Pois eu espero ansiosamente que isso aconteça! - Olívia bradou no mesmo tom do marido, que continuou olhando furioso para ela.
- E daqui mais alguns dias, eu vou dar pedras para ele tacar naquela gente! - Olívia continuou com aquele tremendo ódio, enquanto o homem dirigia furioso de volta para a sua casa.

- Aquela velha é muito mal educada, Marion! - sussurrou Zulma bem baixinho, ao passo, que Marion, ainda pequena, não estava entendendo nada do que estava acontecendo.
- E o filho dela também! - Marion bradou de cara fechada, enquanto Zulma ainda olhava surpresa para ela.
- Por que, Marion? - Zulma perguntou ansiosa.
- Porque ele mostrou a língua para mim! - Marion continuou chateada.

- Vamos embora, homem! - bradou Olívia, enquanto o sinal abria e o homem arrancava com o carro.
- Se o Cacio tiver mesmo mostrado a língua pra Marion, assim como você ensinou, eu vou chamá - lo de canto e vou fazê - lo ir até ela e pedir desculpas! - Acamir bradou ansioso.
- E você acha que ele vai falar alguma coisa, homem? - Olívia continuou furiosa, enquanto Acamir olhava surpreso pra ela.
- Ah, mas é claro que não! - Acamir bradou ríspido. - Você ensinou a ele não contar as coisas erradas para o próprio pai, não foi? - Acamir perguntou furioso com a mulher, que continuava olhando para ele, com um meio sorriso.
- É assim que se faz, com esse tipo de gente que cruza os nossos caminhos! - Olívia continuou com aquele tremendo ódio no coração.
E o homem deu um sorriso sarcástico, sem nada dizer, pois sabia que era dor de cotovelo que Olívia estava sentindo de Zulma.

E no dia seguinte, quando foram levar Acácio na escola, Zulma o viu novamente e foi parar lá no carro dele e Acamir, para matar as saudades, abriu a porta do carro, e pegou Marion no colo e assim cobriu - a de beijos, sem se importar com seus dois filhos que estavam no banco de trás, olhando feio para a situação que ocorria, e depois olhou apaixonado para Zulma, que sorriu sem graça, enquanto os dois filhos, olhavam surpresos e furiosos para a cena que estavam observando diante deles, e Zulma, dessa vez, estava com uma calça bem apertada e uma blusinha agarradinha no belo corpo que Deus havia lhe dado.
- Olívia é muito ciumenta! - Acamir começou a falar, olhando novamente para trás, certificando - se de que a mulher não estava aproximando - se do carro. - Ontem, ela quebrou o pau comigo no carro, só não continuou, porque eu fui rapidinho para a padaria, a deixei em casa e saí! - comentou, olhando apaixonado para Zulma, que continuava sorridente e feliz. - E você nem sabe a minha situação Zulma, já estou cansado dessa mulher! - reclamou, sem dar conta de que os dois filhos, podiam dar com a língua nos dentes.
- Você tem filhos muito lindos, Acamir! - bradou Zulma, olhando para o banco de trás, vendo os dois olharem furiosos para ela.
E Marion, por sua vez, sentia - se tão bem ao lado daquele homem... Que ele até parecia ser um pai para ela, de tanto carinho e bondade com a qual ele a tratava e o bondoso homem, a colocou no chão, tirou umas boas notas do bolso e deu na mão de Zulma que não queria aceitar, então, já que era assim, ele entregou as notas para Marion, e a garota pegou feliz, sem pensar duas vezes.
- Para você comprar quantos doces quiser! - Acamir bradou feliz, enquanto Marion sorria ansiosa e guardava o dinheiro em sua bolsa de escola e Zulma, por sua vez, observava tudo contra feita.
- Para comprar doces nada, Marion! - Zulma olhou feio para a garota que sorriu feliz para ela. - Devolva essas notas a ele, Marion, esse dinheiro não é nosso!!! - continuou nervosa com a irmã que continuava sorridente e não se importando com o que a irmã lhe dizia.
- Vão acabar tomando a grana da garota! - Zulma bradou, vendo Marion ir para a calçada, toda feliz e radiante. - Deixe - me ir! - bradou, vendo Olívia olhando furiosa para Marion, que estava tirando o dinheiro da bolsa.
- Você deu dinheiro para aquela maldita, Acamir? - Olívia perguntou furiosa.
- Dinheiro? - Acamir perguntou furioso. - Mas que dinheiro, mulher? - continuou fazendo - se de bobo. - Vai ver ela achou no chão! - mentiu novamente, enquanto os dois filhos retorciam - se para contar a novidade para a mãe.
- Olha aqui! - Olívia apontou o dedo para o homem. - Você não me engana não, homem! - continuou furiosa com o marido. - E vamos logo para casa, porque nós vamos quebrar o pau hoje! - Olívia ameaçou, enquanto Acamir crispava os lábios de raiva da mulher.
- Mamãe, o papai deu sim, dinheiro para aquela maldita! - Dorise bradou vingando - se do pai, enquanto Olívia olhava surpresa para a filha.
- Olha aí, criança não mente! - Olívia olhou furiosa para o marido, que nada disse. - E por acaso você quer dar um de papai noel fora de época? - continuou furiosa.
- Deixa disso, mulher! - Acamir continuou com raiva da mulher, enquanto os dois filhos, do banco de trás, escutavam ansiosos a suposta discussão entre os pais.

E o páteo estava lotado e crianças ainda com os papeizinhos no peito, no segundo dia de aula, e as serventes da escola trabalhavam demais, para conduzir as crianças para as suas supostas filas que iam para as suas supostas salas de aula.
E Marion, por sua vez, foi empurrada para a última fila, como no dia anterior, da professora gordona e chata que havia dado aulas para ela no dia anterior.
E a professora pegou o ruivinho pelos colarinhos, chacoalhando - o e Marion, por sua vez, via tudo com um enorme sorriso de satisfação nos lábios.
- Acácio, fica quieto! - continuou gritando furiosa, enquanto o garoto estremecia.
E o garoto, por sua vez, ficou vermelho como um pimentão e pôs - se a chorar, ao passo que os demais riam dele.
E assim, a fila seguiu para a suposta classe e ao chegar o chorão, como foi apelidado pelos seus colegas de classe, sentou - se na carteira da frente e Marion na seguinte, a pedido da professora, que já sabia do caso entre as duas famílias, então ela tentou aproximar pelo menos os dois garotos que se odiavam, tentando ver se melhorava a situação, engano dela...
E a professora acabou apresentando - se novamente, falando todas as abobrinhas frutíferas de início de ano...
- Você é uma Fontanni? - Acácio perguntou com desdém.
- E você não sabe mesmo quem eu sou? - Marion perguntou bem estúpida e o garoto ficou estudando seu belo rosto, seus olhos... Enfim... Ele acabou apaixonando - se pela bela garota, deu um sorrisinho maroto e logo virou - se novamente para a frente, e Marion ficou mordendo - se de raiva, pois acabou achando que era puro pouco caso do garoto mal educado.
- Então, eu te odeio! - virou - se novamente para Marion e disse isso com toda a convicção do mundo e ela apenas respondeu com um sorriso singelo assim que ele virou novamente para a frente.
- Eu também te odeio, Sandolli! - Marion respondeu de volta e no mesmo tom do garoto furioso e todos da sala escutaram, inclusive a professora, que olhou feio para ela.
- Briga? - a professora perguntou furiosa. - Mas já? - continuou no mesmo tom. - E logo no segundo dia de aula? - continuou furiosa. - Se vocês dois continuarem, eu juro que vou mandá - los para a diretoria! - apontou para a porta, assustando ambos.
"Diretoria?" Era como se fosse mandar para o inferno! Porque o aluno que fosse mandado para a diretoria, ficava marcado para sempre, entre os colegas.
- E por que você não gosta dela? - perguntou um garotinho para Acácio, logo depois que a professora começou a ditar a segunda lição.
- Sei lá! - Acácio deu de ombros. - A minha mãe falou que não era para gostar dela e pronto! - Acácio sorriu tímido. - Mas o meu pai não, ele discorda disso! - continuou sorridente, enquanto o outro garoto o escutava atento.
- Acácio, pára de conversar! - a professora chamou a atenção do garoto que disfarçou e começou a escrever o que ela ditava.

E passados alguns dias, Marion, a garota feia e desajeitada, mas que tinha traços belos no rosto, começou a se entrosar com os demais colegas, e a levar apelidos irritantes.
Como... "Fantasminha, Monstrengo, Draculina e Quatro Olhos" que na opinião dela, era o pior!
E tinha que suportar tudo aquilo, até mesmo o Chorão que sentava - se à sua frente, a chamava assim... Apesar dele ficar olhando - a com certa admiração para ela, depois que a via triste.
E a professora já não suportava mais o que faziam com a garota.
Marion tinha que suportar, porque ela reclamava e a sua mãe falava que era pra ela ficar quietinha, não responder para ninguém e fazer toda a lição na sala e principalmente a lição de casa, e a professora até pensava em falar para Acácio proteger a garota, mas viu que ele também era um dos que mexiam com ela...
E assim o ódio aumentava cada vez mais, mais da parte de Acácio.
Acácio estava provocando Marion bem na hora em que eles passavam perto de um lamaçal, e Marion, por sua vez, mais que depressa, aproveitou a oportunidade dele ter titubeado ali, e quase caído, e acabou por empurrá - lo, deixando - o todo sem graça ao cair na lama e ficar ali deitado, como se estivesse em sua cama, dormindo e todo mundo rindo e apontando para ele, que se viu humilhado.
E Acácio, por sua vez, conseguiu levantar - se, todo enlamaçado e foi para cima de Marion para tentar jogá - la também, para também vingar - se dela e Marion, por sua vez, começou a correr feito louca, defendendo - se, para ele não alcançá - la e não empurrá - la ali naquele lamaçal fedido.
- Sua louca! - Acácio gritou parando furioso, e vendo que não a alcançava, pois Marion corria muito.
- Laminha, laminha! - todos começaram a gritar atrás dele, humilhando - o e apontando para ele, que olhou - se e viu - se no meio de um grande círculo, todo sujo de lama.
E Acácio, por sua vez, conseguiu escapar e quando chegou em casa, Olívia o recebeu com nojo e toda assustada com o que via.
- Quem foi que te fez isso, meu filho? - Olívia perguntou com cara de nojo.
- A Marion, mamãe! - Acácio bradou furioso, enquanto Olívia olhava assustada para ele.
- O quê? - Olívia perguntou incrédula, enquanto o garoto tirava as suas roupas. - Ela te derrubou na lama? - continuou com cara de nojo.
- Derrubou, mamãe! - Acácio continuou chateado.
- Então, por que você não a derrubou também, meu filho? - Olívia perguntou incrédula.
- Por que ela corre feito uma papa léguas, mamãe! - Acácio reclamou chateado, sabendo que não conseguiria vingar - se mais da garota.
- Isso não vai ficar assim, filho, não vai! - Olívia prometeu, olhando bem no fundo dos olhos verdes do garoto, que olhava sério para a mãe. - O seu pai dá dinheiro para ela gastar escola a fora, e ela ainda me faz isso com você? - Olívia continuou furiosa.
- O pai dá dinheiro para ela, mamãe? - Acácio perguntou preocupado com a situação. - Ah, então eu também quero dinheiro, mamãe! - Acácio reclamou chateado. - Porque eu quero comprar aquele carrinho que eu vi, naquele dia que ele me disse que não tinha recebido nada! - Acácio continuou chateado pela atitude do pai.
- Você está vendo como o seu pai é, meu filho? - Olívia perguntou furiosa. - Não dá dinheiro para os seus próprios filhos e dá dinheiro para os filhos alheios! - Olívia continuou furiosa, enquanto Acácio olhava para ela, sem ao menos entender a situação. - E você tem que colocá - la no lugar dela, meu filho! - Olívia aconselhou ao garoto, que já era maquinava as coisas ruins, e com insentivo então, o garoto ia longe!
- Pode deixar, mamãe, é que eu me distraí hoje! - Acácio bradou cabisbaixo. - Senão isso não tinha ficado assim, e depois todo mundo ficou mexendo comigo também! - Acácio reclamou chateado, e Olívia, por sua vez, ficou com dó do filho.
- Eu vou reclamar para a sua professora, assim quem sabe ela dá um jeito nessa situação, porque se eu não reclamar agora, é bem capaz de você ir para a diretoria e não ela, que merece mais do que você! - Olívia continuou furiosa com a situação pela qual o filho passava. - E eu não quero isso para você, meu filho! - continuou, beijando a testa fedida do garoto, fazendo uma careta tremenda. - Urg... É melhor você tomar um banho, meu filho! - Olívia aconselhou, vendo o filho dirigir - se ao banheiro.
- Ela me deixou fedendo! - Acácio reclamou ainda chateado com a situação.

E no dia seguinte, Olívia foi lá na escola e reclamou para a professora, que prometeu que daria um jeito no comportamento dos dois, mas Olívia defendia mais ao seu filho, dizendo que ele estava apenas defendendo - se da garota, sendo que a professora sabia que era a Marion quem estava defendendo - se das investidas mal criadas de Acácio.

E no dia seguinte, ambos olhavam - se, Acácio todo engomadinho, todo bonitinho, cheirosinho, e Marion deu um sorrisinho maroto, sabendo que o garoto tinha ficado todo enlamaçado no dia anterior e que agora, ele apresentava - se todo engomadinho.
Mas sem explicação, e do nada, ambos começaram a sentir algo estranho, mas não sabiam ao certo o que era aquela reação que os deixava moles e sem graça.
Era uma dor, uma sensação estranha, nova que ambos não sabiam nem sequer explicar, mas ficavam quietos e todas as vezes que ambos se viam, algo de estranho sempre acontecia com ambos.
A dor no peito, o coração acelerando, a sensação estranha, eles mal sabiam, coisa de criança talvez, e era melhor deixar para lá, e ambos pensavam que era um tipo de doença, mas não contavam nada a ninguém, talvez por medo ou por até mesmo... Vergonha.

E depois do dia em que Acácio chegou em casa todo enlameado e fedido, o ódio aos Fontanni ainda aumentou mais...
E mesmo Marion gostando dele, sua família a prevenia em relação à amizade, sem saber que ela gostava dele, e nem ao menos ela sabia disso, e o mesmo acontecia com Acácio e sua família.
- Aquela família só pensa em coisas erradas, pratica os atos ilícitos em frente aos filhos! - Zoraide mentia zangada, ao passo que Marion assustava - se com as palavras grosseiras que a mãe dizia referindo - se aos Sandolli e não sabia nem o que a mãe dizia, sobre atos ilícitos.
- Deixe disso mulher! - Jardel bradou nervoso com Zoraide. - Isso que você está falando para a sua filha, a respeito dos Sandolli é uma tremenda calúnia! - Jardel continuou furioso com a mulher, que olhava feio para ele.
- E você defende, porque você já esteve no meio deles, junto com a Zulma! - Zoraide bradou nervosa com o marido, que olhava feio para ela.
E Marion, por sua vez, nem ousava falar nada, apenas fazia a sua lição de casa e escutava a discussão dos pais, e sempre conversando com os seus botões: "Por quê será que mamãe não gosta deles?"

E Marion foi promovida para a segunda série e teria que suportar aquele chorão novamente, e se só fosse isso, a vida dela estaria maravilhosa, mas, além disso, teria que suportar também as metidas daquelas garotas.
- Sua Fantasminha, você novamente? - Acácio perguntou, aproximando - se da garota tímida e cabisbaixa. - Pensei que você tivesse repetido de ano, assim eu me veria livre de você para sempre! - benzeu - se bem à sua frente, enquanto Marion olhava para ele com desdém, sem saber sobre aquele gesto generoso do garoto em frente a ela.
- Eu passei, posso não ser como você, mas eu passei! - Marion respondeu ríspida, sem ao menos controlar seus sentimentos por ele e sem ao menos saber o que sentia... Aquele tremor...

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