- Empurrado! - Acácio retrucou rudemente e nesse momento, Marion perdeu os sentidos e deu um tremendo de um bofetão em Acácio que esse até entortou o pescoço, por tamanha força de Marion, e este, por sua vez, começou a chorar e ficou assustado, ao passo que ela riu do fato, tamanho feito o dela...
E a professora, por sua vez, vendo aquela cena engraçada entre Marion e Acácio, levantou - se e levou - os rapidamente para a diretoria, explicando o problema para a diretora, ao passo que os dois acomodavam - se na sala da mulher.
E enquanto os dois esperavam na sala da diretoria, Marion pode observar a beleza de Acácio e os dois estavam sentadinhos e coladinhos um ao outro, por ironia do destino, os dois que se detestavam, mas também se amavam... E desde crianças... Seu rosto vermelho pelo bofetão, seus olhos verdes, avermelhados pelas lágrimas quentes que escorriam pela sua face rosada e dolorosa.
A princípio Marion teve pena, e quase pediu "perdão", mas logo recompôs - se e lembrou - se das frias palavras da mãe.
- Não! - admirou - se Vitória, toda esbaforida. - Os dois denovo! Logo no primeiro dia de aula! Ah, essa não! Não acredito no que estou vendo! O quê foi dessa vez? - sentou - se em sua cadeira e começou a girar. - Aposto que foi pelo mesmo motivo, parece até Romeu e Julieta! Só que se detestam! - sorriu. - No fundo, no fundo, isso é amor, viu? - continuou sorridente, olhando - os e os dois trocaram olhares que podiam ser de ódio, mas era de amor...
- Ela me deu um bofetão! - Acácio revelou, engolindo em seco, com medo da diretora que mexia num lápis e ele ficou imaginando - se se aquele lápis que ela ficava virando com tudo na mão.
- É? - Marion perguntou furiosa. - Eu deveria ter dado mais! - Marion continuou furiosa, vendo a diretora fazendo aquilo tudo com o lápis, e já que era para piorar as coisas, entao... Ela pioraria ainda mais...
- Muito bem, quem foi que começou? - Virgínia perguntou olhando para os dois e para a boquinha de Acácio que ia movendo - se para defender - se de Marion.
- Foi ela! - mentiu Acácio, apontando para Marion.
- Não! - Marion apontou para Acácio, com muita raiva. - Foi ele! - continuou sustentando a verdade.
- Ai meu Deus! - Virgínia pôs as mãos na cabeça. - Quantas reclamações eu tive que fazer o ano anterior aos seus respectivos pais, e vocês ainda estão aprontando? - continuou furiosa.
- É, dona Virgínia a senhora precisa dar um jeito nele! - Marion olhou furiosa para o garoto, que a olhava com desdém. - Porque é ele quem me provoca, eu fico quieta no meu canto! - Marion explicou ainda furiosa com o acontecimento.
- Eu não quero mais saber de nada! - bradou Virgínia ainda indignada. - Deixa tudo isso como está! Não vou dizer nada a ninguém sobre quem mexeu com quem, para não provocar mais atrito entre as duas famílias, e se houver isso novamente, reprovarei os dois, por mais inteligentes que sejam e ainda deixarei sobre o conhecimento das famílias o "porque" de eu ter mandado a professora reprová - los e aí... - fez suspense, apontando o lápis para os dois, e os dois arrepiaram - se de tanto medo que sentiram da diretora. - Quero que os dois fiquem de castigo para ver se novamente aprendem a respeitar um ao outro! - levantou - se furiosa. - E não continuar com essa maldita saga que é essa encrenca entre as duas famílias, que coisa feia! - gritou "castigo" com tanto terror e tanta cara feia que os dois até se estremeceram de medo e ficaram um olhando para a cara do outro, culpando um ao outro pela tremenda situação em que os dois estavam vivendo ali naquele momento ruim...
"- Castigo, oba!" - Marion suspirou, mudando de idéia, e mal pensava que Acácio tinha pensado o mesmo, por isso que os dois se olhavam tanto, nos fundos dos olhos de ambos...
Ela adorava ali no castigo, porque ali ela podia sentir o delicioso perfume de Acácio, e ficava admirando - o e ele fazia o mesmo, mas só que ele jamais contaria para ela, por medo dela pegá - lo e jogá - lo novamente naquela meleca fedorenta que ela jogou - o no ano anterior...
Só que dessa vez, a diretora mais que esperta, já achando que os dois estavam gostando um do outro, os separou e o castigo tornou - se chato tanto para um como para o outro.
Porque os dois já gostavam um do outro, mais ainda não sabiam...
Início dos anos oitenta e Marion tinha ido para a quarta série C.
Marion já estava crescida, com seus onze anos, e nunca tinha se esquecido de Acácio, e esse, o mesmo, ambos nunca esqueceram - se um do outro, das fragrâncias dos perfumes que exalavam na hora do castigo, que usavam na época dos folguedos de criança... E a voz meiga de Acácio, mesmo quando a estava maltratando.
Fila formada, no primeiro dia de aula, e na fila havia umas meninas desordeiras, que Marion não havia topado com a cara de nenhuma delas, e elas gargalhavam bastante, prontas para aprontar com qualquer uma que estivesse ali, mesmo não atravessando os caminhos delas... Era sempre assim, e o mais fraco sempre ficava na pior, era no caso de Marion, que procurava ficar bem longe para aquelas garotas insuportáveis não vê - la.
- Eih! Parece que tem gente que não topou a nossa alegria! - bradou uma loira ao ver Marion de longe olhando para elas e a morena, logo que a viu olhando, ficou bem séria e seu sorriso desvaneceu - se aos poucos e Marion não entendendo o "porque" do comportamento da garota, afinal de contas nem a conhecia... Ou melhor... Nem conhecia nenhuma das duas, só achou que elas eram desordeiras, devido às tremendas gargalhadas que soltavam na fila. - Bom... Voltando ao assunto... - bradou a loira, ainda ansiosa por continuar a conversa, e virou - se para a morena que deu toda a atenção para ela novamente, ao passo que Marion continuava olhando - as de longe.
E Marion achou por bem desviar o olhar quando a morena a olhou por sobre os ombros da loira...
- Ah, sim, as minhas férias foram maravilhosas... Ahn... Como é o seu nome mesmo? - a morena perguntou ansiosa.
"- Então, elas não se conhecem?" - Marion suspirou observando o comportamento das duas garotas.
- Nina, Nina Rodrigues. - bradou a loira, oferecendo - lhe a mão, ao passo que a morena ficava só olhando para a mão da loira, sem graça, não entendendo o "porque" do comportamento repentino da loira oferecer - lhe a mão para ela pegar... - E o seu? - perguntou baixando a mão, totalmente sem graça, já que a morena havia ignorado seu gesto.
- Sonda Sandolli. - respondeu a morena, e Marion pode entender toda aquela situação, a morena era da família Sandolli, a família do Acácio, o grande amor da sua vida...
- O quê você está olhando tanto para aquelas duas? - perguntou uma dentuça, ainda com comida nos dentes.
- Nada não! - Marion sorriu encarando a garota e observando que essa ainda tinha comida nos dentes. - Eu só as achei lindas, ao contrário de você, que ainda está com comida nos dentes! - Marion repeliu - se por aquela cena horrorosa e retirou - se rapidamente, enquanto a outra limpava os dentes com a mão mesmo e observava Marion que saia de perto dela.
E ao chegar na sala, viu que Sonda havia sentado - se atrás de Nina, um pouco longe dela, tudo isso para evitá - la, já que ela era daquela família, que não a deixava em paz... E tudo o que ela queria era poder conversar com Sonda para poder perguntar do seu grande amor... O Acácio, mas ficou com medo e observando - as ela ficou, elas tinham um comportamento normal, não eram como ela, excluída e quieta até demais, que só as meninas mais feias e fedidas, que não tinham higiene alguma que se aproximavam dela... No caso daquela dentuça horrorosa...
E a lista de chamada foi passada pelo inspetor Gomes, e nela já estavam datilografados os nomes dos alunos e mal datilografados, por sinal... e o aluno presente teria que assinar... Embora isso nunca acontecia, porque sempre assinavam uns para os outros, as meninas ficavam segurando o período para as outras que iam cabular, dependendo para que fim que elas aprovavam e o mesmo acontecia com os meninos...
- Marion Fontanni! Quem é Marion Fontanni? - Sonda perguntou alto, para que todos os presentes pudessem escutar e a sala toda naquele burburinho todo e os meninos com a lista na mão, dando gargalhadas e Marion, por sua vez, levantou a mão.
E o coração de Marion disparou, quando Sonda perguntou, justo uma Sandolli, querendo saber quem era ela?
E se ela não a viu na fila, e não a conhecia de vista?
Isso era ridículo!
E Nina também olhou para trás, esperando também a resposta, ansiosa como a nova amiga que tinha feito na fila.
Mas logo que virou - se, viu Marion, com a mão levantada.
- Sou eu! - Marion levantou - se mais que depressa, já que Sonda não percebeu que ela estava de mão levantada a tempo.
- Estava com medo, garota? - perguntou Sonda, também colocando - se de pé, e a sorte que Marion teve, foi que a professora apareceu de súbito e todos que esperavam a suposta briga, dispersaram - se rapidinho, pois todos sabiam a fama de briguenta de Sonda.
- Vocês viram? - perguntou um moleque negro que usava transinhas.
- Pena que não teve pau, a minha prima é ótima de briga! - bradou um loirinho forte e cheiroso.
- Ela é a sua prima? - o moleque de trancinhas perguntou, ainda olhando para trás.
- É! - respondeu o loirinho forte. - E não olha muito não! - sorriu. - Porque ela bate até em moleque! - recomendou o garoto, ao passo que o outro disfarçava e voltava a olhar para a frente.
"- Ah, então quer dizer que aquele loirinho ali é o primo daquela chata?" - Marion suspirou, também sentando - se e ainda nervosa.
E a lista de chamada chegou até Marion, que por sua vez assinou e Nina olhou para ela e virou - se para Sonda.
- Nossa, eu acho que aquela garota até ficou com medo quando você falou daquele jeito com ela! - Nina sorriu maliciosa. - Porque a mão dela estava levantada a tempo, quando você perguntou da primeira vez! - continuou Nina toda feliz, enquanto Sonda observava Marion assinando a lista.
- Estava? - Sonda perguntou incrédula. - Juro que eu nem percebi, quando eu vi o nome dela aqui, eu fiquei até cega! - comentou Sonda furiosa.
E depois que Marion assinou, leu alguns nomes e viu a bela assinatura de Sonda.
- Vai logo, mina! - o garoto loirinho bradou furioso. - Que eu estou com pressa! - tomou a lista da mão de Marion, com toda a estupidez do mundo, deixando - a surpresa com a situação, e ainda ficu olhando incrédula para o garoto que tinha uma semelhança muito grande com Acácio.
E a professora começou a apresentar - se e as duas não paravam de conversar, dando risadinhas baixas e ninguém incomodava - se com elas, nem mesmo a professora, que continuava apresentando - se.
- Você tem namorado? - perguntou Sonda, olhando para Nina que sorria feliz.
- Não! - Nina respondeu sorridente e simpática com a outra. - E você tem? - continuou curiosa.
- Tenho! - Sonda sorriu encabulada. - Ele é maravilhoso! - suspirou apaixonada.
- Uhn... Deve ser mesmo, só pelo jeito que você falou! - bradou Nina sorridente, sob os olhares desconfiados de Sonda. - Eu já tive muitos namorados e nenhum até aqui, deu certo! - continuou simpática.
- Qual é a sua idade? - perguntou Sonda, medindo a garota de cima em baixo, e observando seu corpo de criança.
- Tenho dez anos! - Nina respondeu sem pensar, ainda sob os olhares incrédulos de Sonda.
- Credo! - Sonda benzeu - se. - Você é louca! - continuou surpresa com a atitude da garota.
- Por que? - Nina perguntou surpresa. - Qual é a sua idade? - continuou curiosa.
- Eu também tenho dez anos! - Sonda respondeu séria. - Mas foi um sufoco para eu namorar, ele é um pouco mais velho do que eu, mas só que eu não tive tantos namorados assim como você está falando que teve! - Sonda continuou surpresa com a garota que sorria demais.
- Sério? - Nina perguntou surpresa.
- Sério! - Sonda respondeu.
" - É, mamãe está certa quando ela fala, que eles só pensam em sexo!" - Marion suspirou desanimada e nem podia pensar em aproximar - se daquela garota perversa, pois ela namorava aos dez anos de idade e com certeza seria reprovada pela sua família, e já bastava ela ser uma Sandolli.
- Por quê você não gosta dela? - Nina perguntou, olhando Marion desfarçadamente.
- Ah, isso é uma longa história! - Sonda bradou desanimada.
- Um dia eu quero saber sobre essa longa história! - Nina bradou ansiosa e animada.
- Se você for minha amiga de verdade, quem sabe um dia eu te conto? - bradou Sonda com um sorriso tentador, enquanto a outra garota sorria ansiosa e louca para conquistar a amizade de Sonda, somente para saber da longa história entre as duas garotas. - Mas isso aí é tudo rincha de família, sabe? Nem a família dela e nem a minha família batem de frente! - explicou resumidamente, enquanto a garota a olhava com toda a atenção.
- Ahn, entendi! - Nina bradou mordendo seu lápis. - E se você quiser acabar com a raça dela, conte comigo! - Nina bradou apertando a mão de Sonda e essa achou estranha a atitude da garota.
- Comigo também! - bradou uma outra garota, que parecia ser bastante conhecida de Sonda.
- Nossa, a Marion tem três inimigas aqui na sala, credo! - Nina benzeu - se, olhando feliz para a cara de Marion.
E Marion, que escutava a conversa das garotas, até ficou com medo delas ficarem enfezadas com ela e até linchá - la na porta da escola ou então jogá - la no pocinho fedido onde ela jogou Acácio da primeira vez...
- É, ela é muito parecida com um cara que anda com o meu irmão mais velho, o nome dele é Fred, só não sei o sobrenome dele! - Sonda lamentou - se.
- Irmão mais velho? - Nina perguntou, arregalando os olhos.
- É! - Sonda concordou, olhando feio para a garota. - Mas ele não namora criança não! Ele namora garotas mais velhas e olhe lá! - Sonda bradou, com a mão para cima, decepcionando a outra garota, que olhou chateada para ela.
- Vai ver o cara é irmão dela! - Nina bradou disfarçando.
- Não! - discordou Sonda. - Se fosse, ele não estava andando com o meu irmão, porque ele ia saber! - bradou Sonda, um pouco alterada.
- Você tem ódio de morte? - perguntou Nina ainda olhando para Marion, que também olhava para elas.
- Não necessariamente, é que eles não aceitam a gente e nem como nós vivemos! - explicou Sonda, também olhando para Marion.
- Sonda! - o loirinho a chamou, e foi de encontro a ela e Marion, por sua vez, observava tudo. - - Por quê a rincha? - continuou curioso, enquanto Nina olhava surpresa para ele e a outra garota não aprovava a atitude da loirinha.
- Porque ela é uma Fontanni, eu não sei explicar ao certo! - Sonda explicou com raiva de Marion.
- Credo! - o garoto benzeu - se, olhando para Marion, que baixou a cabeça triste, pois sentia - se humilhada.
- Não me apresenta? - Nina perguntou, jogando seu charme para cima do loirinho forte, e deixando a outra garota furiosa, e Sonda observou que aquela garota ali não era boa coisa e que sua mãe não gostaria da compania dela.
- Ah, sim, é claro! - Sonda bradou sem graça e olhando para a outra garota, como quem estivesse pedindo permissão e a outra, por sua vez, nada disse. - A minha nova amiga, Nina Rodrigues! - Sonda bradou, observando o primo olhando para a outra garota e somente sorrindo para Nina que nada percebia sobre a situação que estava formando - se bem na sua frente e Nina, por sua vez, vinha com aquele gesto ridículo, que Sonda tinha reprovado nela, oferecendo a mão para o seu primo e ela viu que não daria certo essa atitude de Nina. - E o meu primo, Duarte Sandolli, o Dudu! - Sonda bradou, olhando sério para a outra garota, que bufava de raiva.
- Prazer! - bradou Dudu totalmente sem graça, e olhando para a outra garota e ignorando também o gesto da garota, que baixou a mão sem graça.
- Muito prazer! - Nina bradou toda feliz e sorridente, derretendo - se para Dudu, que sorria sem graça.
E assim, Nina pode observar que aquilo que a mãe havia ensinado a ela, de oferecer a mão às pessoas, quando as conhecesse, não era praticado entre as pessoas da idade dela, talvez entre as mais velhas, assim como a mãe.
- Ela é a cara do Frederico! - bradou Dudu olhando para Marion, que sabia muito bem, que estavam falando dela.
- É, parece mesmo, já notei! - Sonda bradou, também encarando Marion que não queria arrumar confusão porque já sabia que mexer com eles, dava uma tremenda confusão, então, ela não iria perguntar nada para eles.
E Dudu foi para o seu lugar, achando estranho que a professora não importava - se com o burburinho dos alunos e nem tampouco com alunos fora da carteira.
- Qual é o nome do seu namorado? - Nina perguntou curiosa, tentando investir no suposto namorado de Sonda.
- Acácio Sandolli! - Sonda bradou ansiosa, causando um tremendo choque em Marion, enquanto a garota curiosa a encarava surpresa.
- Eu não entendi! - Nina continuou surpresa. - Ele tem o mesmo sobrenome seu! - continuou surpresa e ansiosa por saber mais.
- Ele é meu primo! - Sonda bradou feliz, enquanto a outra garota a olhava escandalizada com a notícia.
" - O quê?" - Marion suspirou indignada. "- O Acácio está namorando a própria prima?" - continuou suspirando, incrédula e furiosa porque tinha ouvido aquilo daquela garota, e teve até vontade de ir até Sonda e agarrá - la pelo pescoço e dizer - lhe com todo o ódio do mundo, que o Acácio, seu grande amor, era só dela, e que ela não o dividiria com mais ninguém.
- Seu primo? - Nina continuou surpresa.
- Sim, e qual é o problema? - Sonda perguntou bem taxativa.
E a professora, por sua vez, vendo aquela cena engraçada entre Marion e Acácio, levantou - se e levou - os rapidamente para a diretoria, explicando o problema para a diretora, ao passo que os dois acomodavam - se na sala da mulher.
E enquanto os dois esperavam na sala da diretoria, Marion pode observar a beleza de Acácio e os dois estavam sentadinhos e coladinhos um ao outro, por ironia do destino, os dois que se detestavam, mas também se amavam... E desde crianças... Seu rosto vermelho pelo bofetão, seus olhos verdes, avermelhados pelas lágrimas quentes que escorriam pela sua face rosada e dolorosa.
A princípio Marion teve pena, e quase pediu "perdão", mas logo recompôs - se e lembrou - se das frias palavras da mãe.
- Não! - admirou - se Vitória, toda esbaforida. - Os dois denovo! Logo no primeiro dia de aula! Ah, essa não! Não acredito no que estou vendo! O quê foi dessa vez? - sentou - se em sua cadeira e começou a girar. - Aposto que foi pelo mesmo motivo, parece até Romeu e Julieta! Só que se detestam! - sorriu. - No fundo, no fundo, isso é amor, viu? - continuou sorridente, olhando - os e os dois trocaram olhares que podiam ser de ódio, mas era de amor...
- Ela me deu um bofetão! - Acácio revelou, engolindo em seco, com medo da diretora que mexia num lápis e ele ficou imaginando - se se aquele lápis que ela ficava virando com tudo na mão.
- É? - Marion perguntou furiosa. - Eu deveria ter dado mais! - Marion continuou furiosa, vendo a diretora fazendo aquilo tudo com o lápis, e já que era para piorar as coisas, entao... Ela pioraria ainda mais...
- Muito bem, quem foi que começou? - Virgínia perguntou olhando para os dois e para a boquinha de Acácio que ia movendo - se para defender - se de Marion.
- Foi ela! - mentiu Acácio, apontando para Marion.
- Não! - Marion apontou para Acácio, com muita raiva. - Foi ele! - continuou sustentando a verdade.
- Ai meu Deus! - Virgínia pôs as mãos na cabeça. - Quantas reclamações eu tive que fazer o ano anterior aos seus respectivos pais, e vocês ainda estão aprontando? - continuou furiosa.
- É, dona Virgínia a senhora precisa dar um jeito nele! - Marion olhou furiosa para o garoto, que a olhava com desdém. - Porque é ele quem me provoca, eu fico quieta no meu canto! - Marion explicou ainda furiosa com o acontecimento.
- Eu não quero mais saber de nada! - bradou Virgínia ainda indignada. - Deixa tudo isso como está! Não vou dizer nada a ninguém sobre quem mexeu com quem, para não provocar mais atrito entre as duas famílias, e se houver isso novamente, reprovarei os dois, por mais inteligentes que sejam e ainda deixarei sobre o conhecimento das famílias o "porque" de eu ter mandado a professora reprová - los e aí... - fez suspense, apontando o lápis para os dois, e os dois arrepiaram - se de tanto medo que sentiram da diretora. - Quero que os dois fiquem de castigo para ver se novamente aprendem a respeitar um ao outro! - levantou - se furiosa. - E não continuar com essa maldita saga que é essa encrenca entre as duas famílias, que coisa feia! - gritou "castigo" com tanto terror e tanta cara feia que os dois até se estremeceram de medo e ficaram um olhando para a cara do outro, culpando um ao outro pela tremenda situação em que os dois estavam vivendo ali naquele momento ruim...
"- Castigo, oba!" - Marion suspirou, mudando de idéia, e mal pensava que Acácio tinha pensado o mesmo, por isso que os dois se olhavam tanto, nos fundos dos olhos de ambos...
Ela adorava ali no castigo, porque ali ela podia sentir o delicioso perfume de Acácio, e ficava admirando - o e ele fazia o mesmo, mas só que ele jamais contaria para ela, por medo dela pegá - lo e jogá - lo novamente naquela meleca fedorenta que ela jogou - o no ano anterior...
Só que dessa vez, a diretora mais que esperta, já achando que os dois estavam gostando um do outro, os separou e o castigo tornou - se chato tanto para um como para o outro.
Porque os dois já gostavam um do outro, mais ainda não sabiam...
Início dos anos oitenta e Marion tinha ido para a quarta série C.
Marion já estava crescida, com seus onze anos, e nunca tinha se esquecido de Acácio, e esse, o mesmo, ambos nunca esqueceram - se um do outro, das fragrâncias dos perfumes que exalavam na hora do castigo, que usavam na época dos folguedos de criança... E a voz meiga de Acácio, mesmo quando a estava maltratando.
Fila formada, no primeiro dia de aula, e na fila havia umas meninas desordeiras, que Marion não havia topado com a cara de nenhuma delas, e elas gargalhavam bastante, prontas para aprontar com qualquer uma que estivesse ali, mesmo não atravessando os caminhos delas... Era sempre assim, e o mais fraco sempre ficava na pior, era no caso de Marion, que procurava ficar bem longe para aquelas garotas insuportáveis não vê - la.
- Eih! Parece que tem gente que não topou a nossa alegria! - bradou uma loira ao ver Marion de longe olhando para elas e a morena, logo que a viu olhando, ficou bem séria e seu sorriso desvaneceu - se aos poucos e Marion não entendendo o "porque" do comportamento da garota, afinal de contas nem a conhecia... Ou melhor... Nem conhecia nenhuma das duas, só achou que elas eram desordeiras, devido às tremendas gargalhadas que soltavam na fila. - Bom... Voltando ao assunto... - bradou a loira, ainda ansiosa por continuar a conversa, e virou - se para a morena que deu toda a atenção para ela novamente, ao passo que Marion continuava olhando - as de longe.
E Marion achou por bem desviar o olhar quando a morena a olhou por sobre os ombros da loira...
- Ah, sim, as minhas férias foram maravilhosas... Ahn... Como é o seu nome mesmo? - a morena perguntou ansiosa.
"- Então, elas não se conhecem?" - Marion suspirou observando o comportamento das duas garotas.
- Nina, Nina Rodrigues. - bradou a loira, oferecendo - lhe a mão, ao passo que a morena ficava só olhando para a mão da loira, sem graça, não entendendo o "porque" do comportamento repentino da loira oferecer - lhe a mão para ela pegar... - E o seu? - perguntou baixando a mão, totalmente sem graça, já que a morena havia ignorado seu gesto.
- Sonda Sandolli. - respondeu a morena, e Marion pode entender toda aquela situação, a morena era da família Sandolli, a família do Acácio, o grande amor da sua vida...
- O quê você está olhando tanto para aquelas duas? - perguntou uma dentuça, ainda com comida nos dentes.
- Nada não! - Marion sorriu encarando a garota e observando que essa ainda tinha comida nos dentes. - Eu só as achei lindas, ao contrário de você, que ainda está com comida nos dentes! - Marion repeliu - se por aquela cena horrorosa e retirou - se rapidamente, enquanto a outra limpava os dentes com a mão mesmo e observava Marion que saia de perto dela.
E ao chegar na sala, viu que Sonda havia sentado - se atrás de Nina, um pouco longe dela, tudo isso para evitá - la, já que ela era daquela família, que não a deixava em paz... E tudo o que ela queria era poder conversar com Sonda para poder perguntar do seu grande amor... O Acácio, mas ficou com medo e observando - as ela ficou, elas tinham um comportamento normal, não eram como ela, excluída e quieta até demais, que só as meninas mais feias e fedidas, que não tinham higiene alguma que se aproximavam dela... No caso daquela dentuça horrorosa...
E a lista de chamada foi passada pelo inspetor Gomes, e nela já estavam datilografados os nomes dos alunos e mal datilografados, por sinal... e o aluno presente teria que assinar... Embora isso nunca acontecia, porque sempre assinavam uns para os outros, as meninas ficavam segurando o período para as outras que iam cabular, dependendo para que fim que elas aprovavam e o mesmo acontecia com os meninos...
- Marion Fontanni! Quem é Marion Fontanni? - Sonda perguntou alto, para que todos os presentes pudessem escutar e a sala toda naquele burburinho todo e os meninos com a lista na mão, dando gargalhadas e Marion, por sua vez, levantou a mão.
E o coração de Marion disparou, quando Sonda perguntou, justo uma Sandolli, querendo saber quem era ela?
E se ela não a viu na fila, e não a conhecia de vista?
Isso era ridículo!
E Nina também olhou para trás, esperando também a resposta, ansiosa como a nova amiga que tinha feito na fila.
Mas logo que virou - se, viu Marion, com a mão levantada.
- Sou eu! - Marion levantou - se mais que depressa, já que Sonda não percebeu que ela estava de mão levantada a tempo.
- Estava com medo, garota? - perguntou Sonda, também colocando - se de pé, e a sorte que Marion teve, foi que a professora apareceu de súbito e todos que esperavam a suposta briga, dispersaram - se rapidinho, pois todos sabiam a fama de briguenta de Sonda.
- Vocês viram? - perguntou um moleque negro que usava transinhas.
- Pena que não teve pau, a minha prima é ótima de briga! - bradou um loirinho forte e cheiroso.
- Ela é a sua prima? - o moleque de trancinhas perguntou, ainda olhando para trás.
- É! - respondeu o loirinho forte. - E não olha muito não! - sorriu. - Porque ela bate até em moleque! - recomendou o garoto, ao passo que o outro disfarçava e voltava a olhar para a frente.
"- Ah, então quer dizer que aquele loirinho ali é o primo daquela chata?" - Marion suspirou, também sentando - se e ainda nervosa.
E a lista de chamada chegou até Marion, que por sua vez assinou e Nina olhou para ela e virou - se para Sonda.
- Nossa, eu acho que aquela garota até ficou com medo quando você falou daquele jeito com ela! - Nina sorriu maliciosa. - Porque a mão dela estava levantada a tempo, quando você perguntou da primeira vez! - continuou Nina toda feliz, enquanto Sonda observava Marion assinando a lista.
- Estava? - Sonda perguntou incrédula. - Juro que eu nem percebi, quando eu vi o nome dela aqui, eu fiquei até cega! - comentou Sonda furiosa.
E depois que Marion assinou, leu alguns nomes e viu a bela assinatura de Sonda.
- Vai logo, mina! - o garoto loirinho bradou furioso. - Que eu estou com pressa! - tomou a lista da mão de Marion, com toda a estupidez do mundo, deixando - a surpresa com a situação, e ainda ficu olhando incrédula para o garoto que tinha uma semelhança muito grande com Acácio.
E a professora começou a apresentar - se e as duas não paravam de conversar, dando risadinhas baixas e ninguém incomodava - se com elas, nem mesmo a professora, que continuava apresentando - se.
- Você tem namorado? - perguntou Sonda, olhando para Nina que sorria feliz.
- Não! - Nina respondeu sorridente e simpática com a outra. - E você tem? - continuou curiosa.
- Tenho! - Sonda sorriu encabulada. - Ele é maravilhoso! - suspirou apaixonada.
- Uhn... Deve ser mesmo, só pelo jeito que você falou! - bradou Nina sorridente, sob os olhares desconfiados de Sonda. - Eu já tive muitos namorados e nenhum até aqui, deu certo! - continuou simpática.
- Qual é a sua idade? - perguntou Sonda, medindo a garota de cima em baixo, e observando seu corpo de criança.
- Tenho dez anos! - Nina respondeu sem pensar, ainda sob os olhares incrédulos de Sonda.
- Credo! - Sonda benzeu - se. - Você é louca! - continuou surpresa com a atitude da garota.
- Por que? - Nina perguntou surpresa. - Qual é a sua idade? - continuou curiosa.
- Eu também tenho dez anos! - Sonda respondeu séria. - Mas foi um sufoco para eu namorar, ele é um pouco mais velho do que eu, mas só que eu não tive tantos namorados assim como você está falando que teve! - Sonda continuou surpresa com a garota que sorria demais.
- Sério? - Nina perguntou surpresa.
- Sério! - Sonda respondeu.
" - É, mamãe está certa quando ela fala, que eles só pensam em sexo!" - Marion suspirou desanimada e nem podia pensar em aproximar - se daquela garota perversa, pois ela namorava aos dez anos de idade e com certeza seria reprovada pela sua família, e já bastava ela ser uma Sandolli.
- Por quê você não gosta dela? - Nina perguntou, olhando Marion desfarçadamente.
- Ah, isso é uma longa história! - Sonda bradou desanimada.
- Um dia eu quero saber sobre essa longa história! - Nina bradou ansiosa e animada.
- Se você for minha amiga de verdade, quem sabe um dia eu te conto? - bradou Sonda com um sorriso tentador, enquanto a outra garota sorria ansiosa e louca para conquistar a amizade de Sonda, somente para saber da longa história entre as duas garotas. - Mas isso aí é tudo rincha de família, sabe? Nem a família dela e nem a minha família batem de frente! - explicou resumidamente, enquanto a garota a olhava com toda a atenção.
- Ahn, entendi! - Nina bradou mordendo seu lápis. - E se você quiser acabar com a raça dela, conte comigo! - Nina bradou apertando a mão de Sonda e essa achou estranha a atitude da garota.
- Comigo também! - bradou uma outra garota, que parecia ser bastante conhecida de Sonda.
- Nossa, a Marion tem três inimigas aqui na sala, credo! - Nina benzeu - se, olhando feliz para a cara de Marion.
E Marion, que escutava a conversa das garotas, até ficou com medo delas ficarem enfezadas com ela e até linchá - la na porta da escola ou então jogá - la no pocinho fedido onde ela jogou Acácio da primeira vez...
- É, ela é muito parecida com um cara que anda com o meu irmão mais velho, o nome dele é Fred, só não sei o sobrenome dele! - Sonda lamentou - se.
- Irmão mais velho? - Nina perguntou, arregalando os olhos.
- É! - Sonda concordou, olhando feio para a garota. - Mas ele não namora criança não! Ele namora garotas mais velhas e olhe lá! - Sonda bradou, com a mão para cima, decepcionando a outra garota, que olhou chateada para ela.
- Vai ver o cara é irmão dela! - Nina bradou disfarçando.
- Não! - discordou Sonda. - Se fosse, ele não estava andando com o meu irmão, porque ele ia saber! - bradou Sonda, um pouco alterada.
- Você tem ódio de morte? - perguntou Nina ainda olhando para Marion, que também olhava para elas.
- Não necessariamente, é que eles não aceitam a gente e nem como nós vivemos! - explicou Sonda, também olhando para Marion.
- Sonda! - o loirinho a chamou, e foi de encontro a ela e Marion, por sua vez, observava tudo. - - Por quê a rincha? - continuou curioso, enquanto Nina olhava surpresa para ele e a outra garota não aprovava a atitude da loirinha.
- Porque ela é uma Fontanni, eu não sei explicar ao certo! - Sonda explicou com raiva de Marion.
- Credo! - o garoto benzeu - se, olhando para Marion, que baixou a cabeça triste, pois sentia - se humilhada.
- Não me apresenta? - Nina perguntou, jogando seu charme para cima do loirinho forte, e deixando a outra garota furiosa, e Sonda observou que aquela garota ali não era boa coisa e que sua mãe não gostaria da compania dela.
- Ah, sim, é claro! - Sonda bradou sem graça e olhando para a outra garota, como quem estivesse pedindo permissão e a outra, por sua vez, nada disse. - A minha nova amiga, Nina Rodrigues! - Sonda bradou, observando o primo olhando para a outra garota e somente sorrindo para Nina que nada percebia sobre a situação que estava formando - se bem na sua frente e Nina, por sua vez, vinha com aquele gesto ridículo, que Sonda tinha reprovado nela, oferecendo a mão para o seu primo e ela viu que não daria certo essa atitude de Nina. - E o meu primo, Duarte Sandolli, o Dudu! - Sonda bradou, olhando sério para a outra garota, que bufava de raiva.
- Prazer! - bradou Dudu totalmente sem graça, e olhando para a outra garota e ignorando também o gesto da garota, que baixou a mão sem graça.
- Muito prazer! - Nina bradou toda feliz e sorridente, derretendo - se para Dudu, que sorria sem graça.
E assim, Nina pode observar que aquilo que a mãe havia ensinado a ela, de oferecer a mão às pessoas, quando as conhecesse, não era praticado entre as pessoas da idade dela, talvez entre as mais velhas, assim como a mãe.
- Ela é a cara do Frederico! - bradou Dudu olhando para Marion, que sabia muito bem, que estavam falando dela.
- É, parece mesmo, já notei! - Sonda bradou, também encarando Marion que não queria arrumar confusão porque já sabia que mexer com eles, dava uma tremenda confusão, então, ela não iria perguntar nada para eles.
E Dudu foi para o seu lugar, achando estranho que a professora não importava - se com o burburinho dos alunos e nem tampouco com alunos fora da carteira.
- Qual é o nome do seu namorado? - Nina perguntou curiosa, tentando investir no suposto namorado de Sonda.
- Acácio Sandolli! - Sonda bradou ansiosa, causando um tremendo choque em Marion, enquanto a garota curiosa a encarava surpresa.
- Eu não entendi! - Nina continuou surpresa. - Ele tem o mesmo sobrenome seu! - continuou surpresa e ansiosa por saber mais.
- Ele é meu primo! - Sonda bradou feliz, enquanto a outra garota a olhava escandalizada com a notícia.
" - O quê?" - Marion suspirou indignada. "- O Acácio está namorando a própria prima?" - continuou suspirando, incrédula e furiosa porque tinha ouvido aquilo daquela garota, e teve até vontade de ir até Sonda e agarrá - la pelo pescoço e dizer - lhe com todo o ódio do mundo, que o Acácio, seu grande amor, era só dela, e que ela não o dividiria com mais ninguém.
- Seu primo? - Nina continuou surpresa.
- Sim, e qual é o problema? - Sonda perguntou bem taxativa.
- Eu nunca vi isso! - Nina bradou com olhar de reprovação.
- Não? - Sonda deu um sorrisinho maldoso. - Então, você é tapada mesmo, hein? - Sonda bradou furiosa com a nova amiga, que continuava olhando surpresa para ela. - Você nunca ouviu dizer que desde os tempos antigos, primos namoram com primas? - continuou Sonda furiosa, ao passo que a outra, achou por bem não argumentar, ficando assim, calada.
- E eu gostaria de conhecê - lo! - Nina bradou sorridente, vendo que Sonda a olhava de cara feia.
- E com qual finalidade você queria conhecer o meu namorado? - Sonda perguntou estúpida, vendo que a garota ficava novamente sem graça. - Ele estuda aqui nessa escola e está na quinta série e só tem olhos para mim, e para ninguém mais! - Sonda continuou defendendo o que era supostamente seu, vendo que a garota baixava a cabeça triste e sem graça.
E Marion pôde observar que a turma que Sonda andava, era a turma mais desordeira da escola, as meninas só aprontavam e agora Nina também fazia parte da turma da bagunça.
E Marion nem sequer, ousava aproximar- se dessa turma de meninas desordeiras, assanhadas, que só aprontavam com os outros.
Em uma tarde, o irmão mais velho de Sonda estava em casa, sentado no sofá, assistindo televisão, vendo filme japonês, que era a sua paixão, quando a campainha tocou e ele foi atender, antes da empregada aproximar - se.
- Ah, mas que surpresa, cara! - bradou ao ver Fred em seu portão, todo sorridente, com sua bike do lado.
- E aí? - bradou Fred, enquanto Sandro abria o portão de sua casa, e os dois cumprimentaram - se felizes.
- Entra aí e não se incomode com a bagunça não, coloca a bike aqui dentro, porque é perigoso! - bradou, ajudando ao cologa colocar a sua bicicleta na garagem de casa.
E nisso, Dudu aproximou - se todo esbaforido, vendo que Fred havia chegado e entrado na casa de Sandro e logo entrou também, e ele gostava muito de conversar com Fred, apesar de Fred ser mais velho, mas os dois tinham uma boa conversa.
- Fred, eu preciso falar com você! - Dudu sentou - se no sofá ainda ansioso e sendo examinado pelo garoto sorridente.
E Sandro, por sua vez, ficou surpreso com a atitude do primo.
- Aqui na sala mesmo, cara? - perguntou Fred, levantando - se do sofá, achando que a conversa era particular.
- Por quê? - Dudu perguntou achando estranha a atitude do garoto. - Tem alguma coisa que o Sandro não pode saber? - Dudu perguntou incrédulo. - Você tem algum segredo confidêncial, Fred? - Dudu perguntou já desconfiado da situação e só foi até a casa do primo para confirmar.
- Não, não, isso não! - Fred deu um sorrisinho amarelo, enquanto Dudu continuava olhando sério para ele e totalmente desconfiado e Sandro, por sua vez, estava achando tudo aquilo muito estranho. - Dudu, o seu comportamento está me surpreendendo agora! - Fred olhou sério para o garoto que o examinava clinicamente. - Parece até que você descobriu algo grave sobre mim e está querendo me colocar entre as paredes! - Fred continuou preocupado, enquanto Dudu oferecia - lhe um sorrisinho amarelo.
- Pode até ser, Fred! - Dudu continuou ríspido. - Marion Fontanni, você já ouviu esse nome antes? - perguntou preocupado.
- Sim! - Fred respondeu engolindo em seco e amarelando.
- Sério? - Dudu perguntou, encarando - o. - Bem que as minhas suspeitas já estão sendo confirmadas! - cruzou as pernas, enquanto Sandro prestava a atenção em Fred, que ainda estava totalmente sem ação. - E o que a Marion é sua? - Dudu continuou curioso.
- Ela é a minha irmã! - Fred resolveu logo confessar, pois não adiantava esconder, já que Marion tinha sido descoberta mesmo.
- Nossa? - Sandro encarou o amigo, ainda surpreso, enquanto Dudu sorria feliz pela descoberta. - Então por quê você não me falou isso antes? - Sandro continuou assustado e observando o comportamento sem graça do amigo.
- O quê? - Dudu surpreendeu - se, levantando - se e limpando sua roupa, afinal de contas, estava sentado perto de Fred, e não queria ser contaminado pelos Fontanni. - Você é um Fontanni? - perguntou incrédulo.
- Eu sou, e vou fazer o quê? - Fred perguntou olhando - o assustado, enquanto Dudu olhava furioso para ele.
- Bem que eu desconfiava, mas eu não tinha certeza! - Sandro bradou, coçando a cabeça e olhando para o garoto, preocupado.
- E como é que você anda com ele, Sandro? - Dudu perguntou escandalizado. - E você vai continuar andando com ele? - continuou incrédulo, pelo fato do primo não expulsá - lo logo dali, afinal de contas, ele estava na casa dele e o Fred, o Fred era mais um intruso do que uma visita cordial.
Fred, por sua vez, estava com o coração aos pulos, nervoso por ter sido descoberto, ficou com medo de perder a amizade dos dois garotos, que até então eram seus dois melhores amigos, ou então... Pareciam ser.
Ele nunca teve vontade de sair correndo da casa do amigo, como teve naquela tarde.
- E o fato de eu pertencer a essa família, não tem nada a ver, eu sou diferente! - Fred foi logo acudindo de tão nervoso que estava pelo fato dele ter sido descoberto.
- Pode até ser, mas eu preciso ver se vale mesmo a pena a sua amizade! - bradou Sandro para a surpresa de Dudu que estava com um meio sorriso nos lábios. - Se eu começar a contar, ninguém vai acreditar! - Sandro continuou nervoso com a situação que havia se formado diante deles.
- Por isso mesmo que você não deve contar, porque ninguém mesmo vai acreditar em você! - Fred sorriu feliz. - Um dia isso tudo vai ter que vir à tona! - Fred bradou sem ao menos se importar com o que o amigo estava pensando. - Agora, que tudo já foi descoberto, aí vocês vão resolver se continuam ou não a amizade comigo! - Fred continuou sarcástico com o amigo e com Dudu, olhando atento para os dois garotos que ainda estavam surpresos pelo fato dele ser um Fontanni.
- Cara, não adianta você ser diferente, e ter esse maldito sobrenome! - Dudu reclamou furioso com a idéia de ter um amigo Fontanni.
- E como você descobriu sobre Marion? - Fred perguntou nervoso e com vontade de chegar em casa e socar a cara daquela maldita que ele tanto odiava.
- Simples! - Dudu sorriu feliz. - Ela caiu na minha sala, oras! - bradou Dudu, vendo Fred bufar de raiva e Sandro suspirar de tão surpreso que ficou.
- Vou indo! - Fred levantou - se ainda chateado com a situção, enquanto isso Dudu suspirava aliviado, pois iria se ver livre do cara que ele até achava legal, mas passou a detestar, por causa do sobrenome dele.
- Calma aí, cara! - Sandro bradou, na tentativa de deter o amigo, que olhou surpreso para ele. - Vamos resolver isso logo! -Sandro continuou na tentativa de não perder a amizade de Fred. - Você é um cara legal, e eu vou continuar andando com você, mesmo você sendo um Fontanni, eu vou continuar sendo seu amigo! - bradou, vendo que Dudu ficou admirado com toda aquela situção. - Porque nós temos as mesmas idéias, os mesmos gostos e eu não vejo o "porque" de não continuar andando com você, pelo fato de um sobrenomezinho que não vale a pena e não é o sobrenome que faz a pessoa, é a sua conduta! - Sandro terminou todo o seu discurso, vendo a cara fechada do primo.
- Eu não acredito no que eu acabei de ouvir! - Dudu bradou entre dentes e furioso com a idéia do primo. - Eu vou sair fora daqui, porque eu acho que estou demais aqui! - Dudu retirou - se furioso dali da sala do primo, sob os olhares surpresos dos dois garotos.
- Ainda bem que ele se foi! - Sandro benzeu - se. - Ele é muito novo para ficar aqui conversando com a gente, você não acha? - Sandro perguntou ansioso, enquanto Fred respondia com um aceno positivo de cabeça.
- É verdade! - Fred bradou ainda lamentando - se. - Com tudo o que aconteceu, ele ainda é legal! - Fred continuou chateado com a situação que tinha se formado. - Coitado, ele não tem culpa de ser tão novo assim! - bradou Fred ainda chateado com a situação.
- Veja bem. - Sandro olhou sério para o amigo. - O cara te rejeitou e você ainda continua achando ele legal? - Sandro perguntou achando a atitude do amigo, que o encarava surpreso.
Menino robusto, inteligentíssimo, alto para a sua idade, de olhos verde - água, que chamavam a atenção de longe, pois mais parecia uma pintura do que a realidade totalmente transposta na imagem de quem observava.
Infelizmente tinha que usar óculos de fundo de garrafa e de armação preta, pois não gostava de outro tipo de armação, pois tinha problemas sérios de visão.
Seus cabelos eram tão loiros que até pareciam a gema do ovo, de tão loiros que eram, não gostava dos seus cabelos, por esse motivo, os cortava bem rentinhos à cabeça, pois eram lisos demais e esse era o motivo aparente.
Personalidade forte, não deixava passar nada à sua frente, considerado o garoto mais inteligente da escola, e seu irmão sempre ficava em segundo lugar, ganhava muitas medalhas por sua inteligência.
De rosto redondo, bochechas rosadas, voz grave, que era comparada a um garoto bem mais velho, quando atendia ao telefone.
- Dudu, o quê você tem? - Dorise perguntou, ao ver o irmão do meio ainda nervoso, sentado no sofá.
- Nada não! - Dudu bradou ainda chateado. - E por acaso você já sabe a tabuada do cinco? - perguntou, desviando o assunto e vendo a irmã bufar de raiva.
- Ora, deixa de ser idiota! - Dorise continuou furiosa com o irmão e Acácio, por sua vez, estava sentado ao seu lado, incentivando - a a estudar. - É claro que eu sei! - Dorise continuou no mesmo tom de fúria. - E de cor e salteado! - Dorise continuou furiosa, enquanto Acácio sorria encabulado, sabendo que a irmã ainda mentia de cara lavada.
- É mesmo? - Dudu perguntou com ar de gozação. - Então, quanto é cinco vezes cinco? - perguntou, tirando uma com a cara de Dorise, que ainda olhava feio para ele.
- Uhn... Cinco vezes cinco! - Dorise ficou ainda pensando, ao invés de responder logo.
- Vamos, responda! - Dudu ordenou, sorridente, vendo que a irmã ainda pensava com o dedo na boca. - Ou vai me dizer que você não sabe? - Dudu continuou provocando a irmã que olhava furiosa para ele.
- Deixa a menina, Dudu! - Acácio bradou ainda sorridente.
- Infelizmente eu me esqueci, Dudu! - Dorise respondeu, não querendo admitir que não sabia.
- Ah, não acredito! - Dudu bradou, meneando a cabeça em negativa. - Você é mesmo uma tremenda de uma burra, mana! - Dudu bradou nervoso, vendo que Acácio batia a mão na mesa, estremecendo - a e assustando Dorise, que olhava surpresa para ele. - Só pensa em namorar, não é? - Dudu perguntou às gargalhadas, pelo tremendo susto que a irmã havia tomado. - Sabe o quê você vai ser? - perguntou furioso, enquanto Dorise olhava séria para ele, sem ao menos responder uma só palavra.
- Eu sei sim! - Dorise respondeu ríspida. - Professora de Matemática! - respondeu, despertando gargalhadas nos dois irmãos.
- Eu sei sim! - Dorise respondeu ríspida. - Professora de Matemática! - respondeu, despertando gargalhadas nos dois irmãos.
- Não acredito! - Dudu meneou a cabeça em negativa. - Você não sabe nem a parte mais fácil da tabuada do cinco, como é que você vai ser professora de matemática? - Dudu continuou nervoso com a irmã que olhava séria para ele, com as faces bem rosadas, de tão furiosa que estava.
- Dona de casa! - Acácio respondeu ríspido, enquanto observava a mãe cortando carne em frente à pia. - Coitados dos teus alunos, se você cismar mesmo de ser professora de matemática! - Acácio bradou, meneando a cabeça em negativa. - Ter uma professora que não sabe nem a tabuada do cinco, tem que lavar pratos mesmo! - Acácio continuou ríspido com a irmã que olhava feio para ele.
- Meu filho, não menospreze a profissão de dona de casa, que é uma profissão muito ingrata, pelo amor de Deus! - bradou Olívia, terminando de temperar as carnes.
- Garota vagabunda, se não quer estudar, por que ainda vai para a escola? - perguntou Acácio furioso com a irmã, ignorando o conselho da mãe. - E você está namorando, Dorise? - Acácio continuou furioso com a irmã, enquanto Dorise olhava furiosa para ele, e a mãe nem prestava a atenção no que estava acontecendo entre os três filhos.
- Vou falar tudo para a mamãe! - Dorise anunciou, sabendo que o irmão levaria bronca, já que por ser a filha mais nova, ela era muito dengada e mais que depressa, Acácio levantou - se do seu lugar e foi para perto de Dudu, para tentar se defender, se a mãe viesse brigando com ele.
- Nós prometemos nunca mais te encher o saco, se você não contar nada para a mãe! - bradou Acácio, olhando para Dudu que sorria, e olhou para a mãe que ainda guardava as carnes na geladeira e nem prestava a atenção na conversa dos três.
- Pararam a discussão? - perguntou Olívia, terminando de colocar as carnes na geladeira.
- Preciso de falar com você, Cácio! - Dudu cochichou, enquanto Dorise escutava com toda a atenção do mundo.
- Sobre o quê, meu velho? - Acácio perguntou levantando - se e retirando - se da cozinha, deixando Dorise completamente sozinha.
- É sobre o Fred! - Dudu continuou cochichando, até que entraram no quarto.
- E o que foi que aconteceu? - Acácio perguntou tirando seu kichute.
- O Fred é um Fontanni! - Dudu bradou e viu que o irmão olhou surpreso para ele.
- O quê? - Acácio perguntou surpreso. - Não acredito no que eu estou ouvindo! - Acácio continuou indignado. - Como você descobriu? - continuou curioso, enquanto Dudu olhava sorridente para ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário